Em plena pandemia, todos solidários, menos o Grupo Equatorial

Vivemos tempos de apreensão pela preservação da vida. Notícias de perdas de entes queridos nos chegam a todo momento. A população sofre com abalo psicológico da incerteza do amanhã. Nesse clima, cresce a solidariedade entre as pessoas. Mas a diretoria do Grupo Equatorial prefere a postura cruel e desumana de seguir adiando o pagamento da PLR, um direito conquistado há décadas e mais uma vez alcançado em 2019.
É notório o uso desleal da pandemia que afeta o mundo para “enrolar” a liberação de uma verba tão importante na vida de seus trabalhadores e suas famílias, sobretudo neste tempo de incertezas, crise sanitária e econômica.
No final de abril, o Grupo Equatorial publicou um aviso ao mercado financeiro de que publicaria suas Demonstrações Financeiras (DF) de 2019 na data de 18/5, mas na véspera publicou outro aviso adiando a publicação das DF para 22 de maio, procrastinação que prejudica o orçamento de grande parte dos empregados e empregadas da Celpa Equatorial, cujos esforços foram empenhados em 2019 para alcançar metas e obter a tão importante e esperada PLR.
Lembrando que a PLR 2019, por acordo selado entre sindicatos e Celpa Equatorial, deveria ter sido paga até o dia 31 de março de 2020, o que não ocorreu, tendo a empresa se comprometido em fazê-lo até 30 de abril, o que também deixou de ser honrado. Até o momento não sabemos quando a Celpa Equatorial irá efetivar o pagamento da PLR 2019. Esse tema foi tratado em diálogo entre os dirigentes sindicais dos Urbanitários e Engenheiros e empresa ocorrido por videoconferência na manhã da terça-feira, 19 de maio. Cobramos o pagamento. Teremos nova conversa na quarta-feira, 27, momento em que iremos voltar a exigir a quitação da PLR 2019. A luta tem que continuar.
Na reunião, questionamos a doação de dinheiro da Celpa Equatorial para o Governo do Estado, na ordem de R$ 5 milhões. Os interlocutores da empresa justificaram que era um ato de solidariedade. Entendemos, pois não somos contra atos legítimos de solidariedade. Mas onde está a solidariedade do Grupo Equatorial a sinalizar a pretensão de reduzir os salários de seus trabalhadores, em plena pandemia?
Sobre a Medida Provisória 936/20, editada pelo governo federal, a empresa apresentou por escrito uma proposta, que ainda não entrou em discussão. É evidente que essa MP foi editada pelo governo Bolsonaro para prejudicar os trabalhadores, se aproveitando da pandemia do Coronavírus para achatar direitos e massacrar ainda mais os brasileiros mais carentes, a classe trabalhadora do País; beneficiando empresários e empresas, com os quais o governo Bolsonaro tem compromisso desde a derrubada da democracia até a eleição deste governo que nada faz para proteger a vida de nossa população. Vamos seguir na resistência pela vida e contra esse governo que já se mostrou genocida, desumano e fascista.
Covid - Unimed
Cobramos da direção da Celpa Equatorial a necessidade do plano de assistência médica fornecer medicamentos conhecidos como kit para o tratamento da Covid 19. A empresa respondeu que esse atendimento não consta no contrato. E pela resposta, a empresa não fará nenhum esforço para que entre na obrigação do plano perante os trabalhadores, ou seja, os empregados e empregadas da Celpa Equatorial deixam de ter esse benefício por questões financeiras, porque a empresa não quer pagar por isso. A Celpa Equatorial não quer assumir esse custo pela vida e bem estar daqueles que ela chama de “colaboradores”. Aqui cabe a observação de que o plano de saúde teve aumento abusivo, acima de 100%, nos últimos quatro anos. Sobre clínicas e hospitais para atendimento do coronavírus, a empresa indicou um telefone para que o paciente ligue antes de se dirigir ao local, para verificar se aquele estabelecimento está atendendo esses casos: 0800-942-0011, número que consta no verso do cartão da Unimed.
Covid - COI
Levamos à direção da Celpa Equatorial a denúncia de que o executivo do COI vem obrigando trabalhadores a continuarem suas jornadas mesmo com sintomas da Covid-19, o que é um crime pois colabora para o aumento da disseminação e contaminação, visto que se trata de um local fechado. O setor médico da Celpa Equatorial tem se mostrado conivente sem tomar providências contra esse alastramento da pandemia.

Bolsonarismo, unidade popular e alianças necessárias

Bolsonarismo, unidade popular e alianças necessárias

"As forças populares têm tarefas simultâneas essenciais no sentido de consolidar um núcleo programático e formar uma coalizão ampla na sociedade"

Por Igor Felippe Santos*

A postura irresponsável do presidente Jair Bolsonaro diante do aprofundamento da crise brasileira com a pandemia do coronavírus e seus desdobramentos econômicos intensificou o debate no campo progressista sobre a necessidade da construção de uma “frente ampla” para enfrentar o governo neofascista.

O obscurantismo e negacionismo de Bolsonaro diante da pandemia do coronavírus, mais os ataques ao pensamento científico e à liberdade de imprensa, colocaram o governo em contradição com amplos setores que, fundamentalmente, apoiam o isolamento social.

O conjunto das forças progressistas propugnam a unidade e a ampliação da resistência como essenciais para enfrentar o bolsonarismo. No entanto, a proposta da “frente ampla” tem se colocado de forma genérica, sem clareza em relação aos objetivos táticos e estratégicos, caráter, formato, perfil e amplitude política.

A realização de alianças e a construção de frentes fazem parte tática de cada uma das organizações e têm impacto no enfrentamento ao governo e à profunda crise do nosso país. No entanto, para construir uma base comum, é necessário considerar os antecedentes históricos que contribuem para a reflexão sobre as ações políticas.

O primeiro antecedente é que o golpe do impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016 marca o avanço político do bloco burguês em torno de um programa ultraneoliberal, que unifica frações de classes do grande capital e sua expressão política no Congresso e instituições.

Os partidos do “centrão” sob a gestão de Michel Temer, do MDB, aprovaram o teto dos gastos e a reforma trabalhista; Bolsonaro e Paulo Guedes seguiram com a reforma da previdência.

O segundo antecedente é que as lacunas estratégicas dos governos Lula/Dilma e tática da direita de centrar os ataques contra o PT afetaram a sua capacidade de manter a hegemonia sobre as forças democráticas e populares que sustentava desde a década de 80. Abre-se uma disputa dentro da esquerda, que se manifesta na dispersão dos setores progressistas no campo partidário e na sociedade civil.

O terceiro antecedente é que a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência levou ao centro do governo os setores mais conservadores da sociedade, que defendem abertamente bandeiras que se contrapõem aos princípios da Constituição de 1988 que caracterizaram a “Nova República”.

É a emergência política de uma corrente neofascista, que ataca as instituições, constrange referências da Câmara, do Senado e do STF, despreza a liberdade de expressão e de imprensa, desqualifica o pensamento e a ciência.

Diante desse quadro, considerando esses antecedentes, duas concepções que perpassam o debate sobre a frente ampla devem ser descartadas, como ponto de partida para avançar na unidade, evitar dúvidas e desconfianças mútuas.

Em primeiro lugar, uma concepção estreita que considera “tarefa perdida” ou “desvio político” o esforço de envolvimento do maior número de figuras públicas, segmentos da sociedade e representações políticas na oposição ao governo Bolsonaro.

Essa visão desconsidera as contradições que se abriram com o avanço do neofascismo, o combate ao isolamento social, a desqualificação do pensamento científico, as ameaças à liberdade de imprensa, ao mundo da cultura, ao STF e ao Congresso Nacional. Os posicionamentos do youtuber Felipe Neto e do ator Lima Duarte, por exemplo, expressam o deslocamento de alguns setores.

A segunda concepção que deve ser desconsiderada idealiza a constituição de uma frente ampla de caráter mais “permanente” com setores do centro e até da direita, com a expectativa de construir no médio prazo uma unidade eleitoral nas próximas eleições. Subestima-se ou ignora-se as profundas diferenças programáticas e de projeto de desenvolvimento para enfrentar a crise.

Diante disso, as forças populares têm tarefas simultâneas essenciais no sentido de consolidar um núcleo programático e formar uma coalizão ampla na sociedade.

Em primeiro lugar, congregar de forma orgânica o conjunto do campo democrático, nacional e popular, impulsionar a campanha do Fora Bolsonaro, fortalecer a unidade em torno de um programa para enfrentar o pandemia do coronavírus, enterrar os paradigmas neoliberais e superar a crise brasileira com a convergência da estagnação econômica, da dissolução do sistema político e da deterioração das condições de vida da maioria da população.

Além disso, é necessário manter articulação permanente com entidades da sociedade civil (como igrejas, entidades jurídicas, sociedade científicas) para envolvê-las no Fora Bolsonaro e na construção de um programa de saída para crise.

Em segundo lugar, não hesitar diante do avanço de medidas de retirada de direitos trabalhistas, como a criação da “carteira verde e amarela” e a “MP da Grilagem”, que conferem maior unidade às frações burguesas e suas expressões políticas e devem ser denunciadas e combatidas.

Por fim, manobrar a construção das coalizões mais amplas possíveis, sem veto, para enfrentar medidas do governo Bolsonaro no campo da defesa da vida, da democracia e contra o neofascismo, em torno do isolamento social, da liberdade de expressão e do pensamento científico, atuando para arrastá-las para o Fora Bolsonaro. Não cabe qualquer sectarismo para afrontar o autoritarismo, o militarismo e o obscurantismo.

A emergência política da corrente neofascista no Brasil aumentou a complexidade da luta política no Brasil, colocando como tarefas essenciais e complementares a consolidação de uma frente de forças populares, nacionais e democráticas, que apresente um projeto nacional de saída para a crise e que seja capaz de construir uma política de alianças e formar coalizões amplas torno da defesa das liberdades democráticas para isolar e derrotar o bolsonarismo.

 

Igor Felippe Santos - Jornalista e ativista do movimento popular

Projeto suspende privatizações por um ano após fim da calamidade pública do coronavírus

O Projeto de Lei 2.715/20 suspende os processos de desestatização realizados pela administração pública por 12 meses após o fim do estado de calamidade pública decorrente do coronavírus, que vai até dezembro de 2020. Na prática, apenas em 2022 esses processos poderão ser retomados.

Apresentado pelos deputados Enio Verri (PT-PR), Perpétua Almeida (PCdoB-AC), Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Joenia Wapichana (Rede-RR), o texto está em análise na Câmara dos Deputados.

“A história nos ensina que períodos de crise são um excelente momento para quem compra e um péssimo para quem vende”, argumentam. “Após uma crise desta dimensão os preços dos ativos caem, criando assim, um ambiente de ofertas hostis, ou melhor, uma grande liquidação de empresas de qualidade”, complementam.

Pelo texto, ficarão suspensos por um ano tanto os novos processos de desestatização e desinvestimentos como os processos em curso, inclusive a alienação de ações que repercutam em perda do controle acionário.

Recentemente, a Petrobras (PETR4) reabriu o processo de venda de sua participação na Petrobras Gás S/A (Gaspetro), da qual detém 51%”, citaram os deputados.

“No âmbito do setor financeiro, o governo promove a venda de subsidiárias da Caixa, especificamente a Caixa Seguridade, a Caixa Cartões e a Caixa Loterias”, mencionaram ainda.

 

Fonte: Infomoney

Coronavírus: por que defender a fila única nas UTIS?

Coronavírus: por que defender a fila única nas UTIS?

Não perca nesta segunda-feira, 18 de maio, às 19h30, no site da CUT Brasil, www.cut.org.br e nas redes sociais da CUT, um papo ao vivo sobre a Sistema Único de Saúde (SUS), o Coronavírus que ataca todos os continentes do mundo e as filas para ter acesso às Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). Para falar sobre a necessidade de se adotar fila única para as UTIs, a CUT vai reunir as opiniões do presidente da CUT Nacional, Sérgio Nobre; o ex-ministro da Saúde, deputado federal pelo PT de São Paulo, Alexandre Padilha; a presidente do Dieese e dirigente da CUT Nacional, Maria Godoi Faria, e o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Pigato. Participe, comente, compartilhe e curta.