Privatização da Eletrobras: trabalhadores buscam travar processo com denúncias no TCU e CVM

A Associação dos Empregados da Eletrobras, Aeel, ligada a sindicatos de trabalhadores, entrou com denúncias junto ao Tribunal de Contas da União e à Comissão de Valores Mobiliários. O objetivo é tentar paralisar o processo de privatização da companhia, previsto para ser concluído no início de 2022, segundo um representante da entidade e documentos vistos pelo Scoop by Mover, braço do TC.

Uma eventual suspensão da desestatização, mesmo que temporária, poderia colocar em risco o cronograma previsto pelo governo para o negócio, que prevê efetivação da transação até fevereiro. Esse é um prazo considerado “desafiador” pelo próprio presidente da estatal, Rodrigo Limp.

“Conflito de interesses”
A Aeel quer que o TCU e a CVM apurem eventuais irregularidades e suspendam cautelarmente a contratação do consórcio que fará estudos prévios à desestatização. Esse consórcio é formado por Banco Genial, Lefosse Advogados e Thymos Energia.

Em manifestações assinadas pelo escritório Advocacia Garcez, a entidade apontou que o Banco Genial seria “controlado por um grande acionista preferencial da Eletrobras”, o que representaria “conflito de interesses”. Além do risco de uso de informações privilegiadas.

Nas denúncias, a Aeel usou documentos de 2019 segundo os quais fundos geridos pela Genial Gestão teriam alcançado fatia de 5,5% nas ações preferenciais da Eletrobras. Procurada, a Genial não quis comentar. Lefosse e Thymos também não comentaram.

Eletrobras diz que está avaliando o assunto
A companhia disse que as contratações para o processo de desestatização foram feitas pelo BNDES, e não respondeu questionamentos sobre a participação da Genial na empresa. “A companhia está avaliando o assunto e não tem informações adicionais neste momento”, afirmou.

Confira a reportagem na íntegra. Basta assinar um dos planos do TC para ter acesso a notícias em primeira mão.

Desempenho das ações da Eletrobras (ELET3)
Perto das 17h40, o papel ordinário da Eletrobras (ELET3) subia 1,61%%, cotado a R$37,80. Já a ação preferencial classe B (ELET6) subia 1,43%, a R$38,36. No mesmo horário, o Ibovespa operava em alta de 0,80%, aos 117.868 pontos.

Texto: Luciano Costa - TC Mover