Empregados da Eletrobras criticam falta de análise do setor elétrico

A demissão de Wilson Pinto Ferreira Jr. da presidência da Eletrobras levou a estatal a virar notícia nos últimos dias, mas os empregados da companhia afirmam que houve pouco debate a respeito do setor elétrico em si e do quanto a privatização da empresa pode ser prejudicial.

“Não há embasamento técnico nas afirmações reproduzidas de que a Eletrobras não possuiria recursos para investir e de que isso apenas seria possível pela privatização. Uma rápida conferência nos dados de geração de caixa e o nível de endividamento da Eletrobras e de seus pares do setor elétrico é suficiente”, pontuam os trabalhadores, ressaltando que “parece ser mais cômodo repetir essa falácia milhares de vezes até que se torne um mantra na cabeça dos desinformados”.

A gestão de Ferreira é alvo de críticas dos profissionais: “o presidente da Eletrobras xingava empregados, tomava advertência da Comissão de Ética da Presidência da República, contratava empresa de comunicação para falar mal da própria estatal. Rasgava manuais de boas práticas de governança corporativa, sendo recordista em cadeiras de conselhos de administração. Foram incontáveis transgressões”, afirmam os trabalhadores, ressaltando que 18 profissionais da empresa perderam a vida por covid-19 em um universo de 12 mil trabalhadores, o que equivale a uma taxa de mortalidade de 150 pessoas por 100.000 – recorde entre as estatais.

Os trabalhadores da Eletrobras ressaltam que todos sabem os riscos de privatização de um setor como o elétrico, mas fingem desconhecer – “parece uma autossabotagem, uma cegueira deliberada” -, principalmente quando se tem o que ocorreu com outros segmentos em perspectiva.

“Uns falarão que a privatização das telecomunicações foi um sucesso, mas esquecem que o movimento coincidiu com a evolução tecnológica, que viria de qualquer jeito. E no Brasil temos as operadoras de telefonia como recordistas de reclamação nos órgãos de defesa do consumidor e uma das tarifas de voz e dados mais caras do mundo”, criticam os profissionais, listando ainda os problemas com transporte público e os sucessivos apagões promovidos por empresas distribuidoras e transmissoras de energia, como o que aconteceu no Amapá.

Fonte: Site GGN


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