Depois de muitas tentativas de golpear a Eletrobras e o povo brasileiro, Wilson Pinto deixa a presidência da estatal

Depois de muitas tentativas de golpear a Eletrobras e o povo brasileiro, Wilson Pinto deixa a presidência da estatal

No domingo, 25, via comunicado (fato relevante) da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras) à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal divulgou a saída de Wilson Pinto da presidência da maior empresa brasileira de geração de energia elétrica. O comunicado fala em “motivos pessoais”, mas é de conhecimento público que a passagem de Wilson Pinto pela Eletrobras teve objetivo claro de dar um golpe na empresa e nos brasileiros num projeto de privatização direcionada para proteger e potencializar os interesses dos grandes acionistas minoritários liderados pelo grupo 3G Radar, empresa privada acionista da Eletrobras.

Wilson Pinto, mesmo com apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes, não conseguiu concretizar o projeto entreguista. A derrota dele ficou evidente na semana passada, quando o candidato a presidente do Senado Rodrigo Pacheco (DEM-RJ) declarou que não tinha a privatização da Eletrobras como foco, o que fez cair as ações da Eletrobras na bolsa de valores.

Com certeza não foi só esse o motivo da saída de Wilson Pinto. Desde que assumiu a função de presidente, fez muitas tramoias contra os trabalhadores e trabalhadoras da Eletrobras, contra os interesses do povo brasileiro e contra o próprio desenvolvimento do País.

Na chegada à empresa, ainda em 2017, Wilson levou logo uma advertência na Comissão de Ética Pública da estatal devido ter chamado os empregados e empregadas de vagabundos e ineficientes. Essa tentativa de desmoralizar a empresa já fazia parte do plano de jogar a opinião pública a favor da privatização.

Nessa obsessão pela venda da Eletrobras, Wilson Pinto chegou ao absurdo de contratar por R$ 3 milhões, sem licitação, a empresa de comunicação FSB com o objetivo de manchar publicamente a imagem da estatal. O contrato foi suspenso pela justiça federal, após ações judiciais movidas pelo Sindicato dos Urbanitários do Pará e pelo Sindicato dos Trabalhadores de Energia do Rio de Janeiro e Região.

E tem mais, a administração desta pessoa que agora deixa a geradora de energia permitiu que a alta administração da Eletrobras fosse capturada pelo acionista minoritário privado, a 3G Radar, que passou a controlar a Diretoria Executiva e os Conselhos de Administração e Fiscal.

Ele também vedou a participação da Eletrobras e suas empresas nos leilões promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e criou um projeto de “capitalização” sob medida aos interesses do Grupo 3G Radar.

O ex-presidente da Eletrobras propôs a criação de uma nova estatal para cuidar da Eletronuclear, Itaipu e programas de governo, custando R$ 4 bilhões ao governo federal, sendo que o próprio governo já controla essas subsidiárias, sem desembolso.

Ao definir o preço da estatal, Wilson Pinto minimizou a grandeza, a riqueza e potencialidades da Eletrobras, deixando de considerar o caixa existente; os ganhos com a descotização de energia pretendida; as indenizações vincendas que entrarão no caixa da empresa e o prêmio de controle, inerente a qualquer processo de venda e a renovação da concessão da UHE Tucuruí, que também entraria no pacote de desestatização.

Além do senador Rodrigo Pacheco não considerar prioridade o projeto de privatização da Eletrobras, outros senadores também se pronunciam receosos em relação à possibilidade de venda da geradora de energia. No final de 2020, Rodrigo Maia (DEM-AM) colocou sob suspeição o projeto de privatização de autoria do governo federal, pois “visa tornar a sociedade brasileira escrava desse pequeno grupo de grandes acionistas minoritários, encabeçado grupo 3G Radar”.

O senador Paulo Rocha (PT-PA) se posiciona contra a privatização. “Minha opinião é no sentido de manter a Eletrobras pública, uma vez que é uma grande estatal, uma das maiores geradoras de energia do mundo, construída com dinheiro público e ser estratégica para o desenvolvimento do Brasil”.

“Os trabalhadores e trabalhadoras não sentirão falta deste ex-presidente da Eletrobras, pois ignorou os interesses da sociedade e dos consumidores em prol dos interesses particulares dele e de um pequeno e seleto grupo de grandes acionistas minoritários especuladores, os ‘fundos abutres’ como são conhecidos pelo mercado”, garante o presidente do Sindicato dos Urbanitários do Pará, José Bianor Pena.

“As entidades sindicais e os trabalhadores e trabalhadoras sabem que o ruim pode piorar, mas os sindicatos estiveram na luta e vão continuar na defesa da Eletrobras e suas subsidiárias públicas e eficientes, prestando o melhor serviço à população e ao Brasil”, avisa o sindicalista.


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