Ato público #JustiçaPorMariFerrer

Ato público #JustiçaPorMariFerrer

A divulgação pelo The Intercept Brasil da cena de humilhação sofrida pela jovem Mariana Ferrer, na terça-feira, 3, no julgamento da acusação de estupro de vulnerável chocou a opinião pública e vem provocando a indignação não apenas de feministas mas de toda a sociedade brasileira, que vai às ruas neste fim de semana em todo o Brasil protestar contra a absolvição de André de Camargo Aranha, acusado de dopar e estuprar Mariana, sob a tese de “estupro culposo”, quando não há intenção de praticar o crime. Em Belém, movimentos sociais organizados na Frente Feminista chamam para o ato “Justiça por Mari Ferrer” a ser realizado neste domingo, às 9h, no CAN, Conjunto Arquitetônico de Nazaré, também chamado de Praça Santuário, localizado na avenida Nazaré.
O estupro ocorreu em 2018, quando Mariana estava trabalhando como promotora de eventos em uma boate em Florianópolis (SC). Ela acusou André de tê-la dopado e a estuprado em um camarote da boate. Exames identificaram esperma do acusado na vítima e que ela era virgem. Mas o promotor de Justiça do caso, Thiago Carriço de Oliveira, acatando tese do advogado de defesa, Claudio Gastão da Rosa Filho, deu parecer pela absolvição do caso por avaliar que não tinha a intenção de cometer o estupro, ou seja, “estupro culposo”, tese aceita pelo juiz Rudson Marcos.
Juristas afirmam que a audiência pode ser nula por ofensa à dignidade humana da depoente. Na audiência, o advogado do acusado apresentou fotos da vítima coletadas de redes sociais, chamando as imagens de “ginecológicas”, dizendo que "jamais teria uma filha" do "nível de Mariana". O juiz, por sua vez, nada fez para impedir a humilhação da vítima, colaborando para a tese de que o comportamento da vítima estaria justificando o estupro, o que é inaceitável, machista e vergonhoso para a justiça brasileira.


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