Demitir é irresponsabilidade social!

Os investidores sabem da perversa política de demissões no Grupo Equatorial?

O Grupo Equatorial Energia, que atua em vários estados brasileiros, fatura bilhões e declara que tem como missão a responsabilidade social para assegurar o desenvolvimento do Pará, demitiu pelo menos 26 pais e mães de família de 1 a 20/7. Cometeu essa perversidade em plena pandemia que adoece, mata e encolhe a economia em todos os continentes do planeta terra.
A empresa que detém uma concessão de serviço público e essencial, que deveria atuar socialmente para beneficiar a população, possui uma perversa política de demissão imotivada e arbitrária.
Havíamos denunciado 12 dispensas na semana passada, mas até a segunda-feira, 20, tivemos informação de que a Celpa Equatorial jogou 26 pessoas ao amargo mundo do desemprego. As demissões aconteceram em todas as cinco Regionais onde a empresa tem atuação, com sedes em Belém, Castanhal, Marabá, Santarém e Altamira.
O momento é o pior possível para tirar o sustento das famílias, período de incerteza e afastamento social, doenças e mortes por toda parte. A própria empresa se disse “consternada” com a perda de um diretor que não resistiu à covid, mas segue demitindo sem nenhum constrangimento.
INVESTIDORES - Será que os investidores do perverso Grupo Equatorial (Squadra, Opportunity, BlackRock, CPPIB, Schroder, etc) sabem dessa política desumana de demitir mesmo em tempo de calamidade pública/situação de emergência, tempo de pandemia? Se sabem, será que concordam com a dispensa imotivada de empregados/as?
A exemplo do que ocorre no meio ambiente, onde investidores mostram indignação sobre poluição ambiental e os direitos humanos e não aceitam vincular seus investimentos e imagens a um país que devasta seu meio ambiente, imaginamos que os investidores da Equatorial precisam saber das perversas práticas usadas pelo Grupo. São práticas crueis e desumanas com seu quadro de pessoal, colaborando para o aumento do desemprego no Pará e no Brasil.
LUCRO - De janeiro a março deste ano, o lucro da Equatorial Energia saltou em 106,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O lucro passou de R$ 213 milhões para R$ 440 milhões. A Equatorial Energia terminou o ano de 2019 com lucro líquido de R$ 2,4 bilhões.
A companhia divulgou seus resultados com destaque para o EBITDA, que praticamente dobrou, chegando a R$ 4 bilhões. Ou seja, temos um grupo empresarial que poderia sim exercer o que chama de responsabilidade social e desenvolvimento do Estado, iniciando em casa, mantendo e valorizando seus empregados/as. Mas a perversidade é maior.
MP 936 - Temos uma empresa que não precisa demitir, muito menos colocar em prática a Medida Provisória do governo da morte, a MP 936. Eles tentaram com que o Sindicato fechasse um acordo dando-lhes autorização para demitir. O Sindicato não aceitou, não aceitará e não se calará diante de demissões injustas, sem motivos e que desprezam o direito ao trabalho sobretudo em tempo de pandemia, situação que reduz postos de trabalho e eleva o nível de desemprego e consequentemente de empobrecimento e desigualdade social.
DIVIDENDOS - Na semana passada, em assembleia ordinária dos acionistas, a empresa aprovou a distribuição de dividendos referentes ao ano de 2019 no valor de R$ 323,2 milhões, correspondente a R$ 0,3199683 por ação, o que prova que tem dinheiro sobrando e não tem necessidade de demitir ninguém, nem agora em plena pandemia e nem manter essa política de demissões nas empresas do grupo.
Vale ressaltar que várias empresas suspenderam a distribuição de dividendos em função da pandemia, já o Grupo Equatorial, além de distribuir dividendos, ainda demite pais e mães de famílias!
Ao contrário de outras áreas, nesse quadro de pandemia, as empresas do setor de energia nada perdem, pois tiveram reajuste de tarifa, financiamento para bancar as contas de consumidores de baixa renda, linha de crédito (socorro emergencial ao setor elétrico) via BNDES (R$ 15,5 bilhões) e a liberação pela Aneel de R$ 1,47 bilhão para as distribuidoras de energia o repasse de recursos do fundo de reserva para alívio de encargos. E tem mais, a Equatorial Energia registrou um crescimento de 6,2% nas vendas de energia elétrica no primeiro trimestre deste ano.
INTERSINDICAL - Nem o Sindicato dos Urbanitários do Pará nem a Intersindical Equatorial aceitam demissões no Grupo que ganha dinheiro todos os dias em todos os meses, mas não para de demitir, de descartar pessoas que ajudaram no ganho do lucro bilionário. Ocorreram demissões, além do Pará, no Maranhão, Piauí e Alagoas.
Precisamos nos unir e resistir a essa política, reagir contra demissões, só assim seremos valorizados e respeitados! Vamos à luta!


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