Celpa 20 anos de privatização

Nesta segunda-feira, 9 de julho, faz 20 anos do leilão em que o governo do Pará, na época da gestão de Almir Gabriel e Simão Jatene (Secretaria de Planejamento), repassou o controle da então estatal à empresa privada Grupo Rede, de São Paulo. Naquela data, em 1998, a Celpa fora vendida por R$ 450 milhões.

Depois de 14 anos à frente da distribuidora de energia do Pará, o Grupo Rede devolveu a empresa, mas deixou uma dívida de mais de R$ 3,5 bilhões. Em 2012, a Celpa foi repassada ao Grupo Equatorial por R$ 1,00.

Quadro de pessoal 

Nesses anos de privatização, a Celpa reduziu o quadro de pessoal de 2.500 para 1.300 empregados, impondo uma desumana política de demissões, sem respeitar inclusive a condição de trabalhadores adoecidos e acidentados.

Terceirização 

Atualmente, a Celpa é a campeã de reclamações junto ao Procon e Ministério Público. Infelizmente, as empresas terceirizadas não realizam treinamentos devidos e nem pagam todos os direitos que os trabalhadores do quadro recebem. Esses fatos contribuíram para uma piora na prestação do serviço. A maioria das ações judiciais contra a Celpa Equatorial se refere a cobranças indevidas.

Atualmente, a Celpa tem 5,5 trabalhadores terceirizados para um empregado próprio. São cerca de 7 mil terceirizados. 

Acidentes de trabalho

O grupo Equatorial repassou às empreiteiras a responsabilidade da maioria das atividades de risco. A situação precária (jornadas abusivas, fadiga e falta de treinamento) nas terceirizadas tornou-se um ambiente fértil para acidentes e adoecimentos. O que vimos também é o aumento de acidentes entre empregados próprios da Celpa Equatorial. A política de demissão também contribui para adoecimentos e acidentes. 

Tarifa 

A tarifa, nesses 20 anos, aumentou em média 550%, enquanto a inflação foi de 240%. Hoje a Celpa, infelizmente, tem a segunda tarifa mais cara do Brasil. 

O então secretário de Planejamento do Estado, Jatene, afirmava em 98 que com a privatização, a tarifa iria diminuir. Atualmente, Jatene usa o mesmo discurso para tentar vender a Cosanpa e privatizar o maior bem do planeta, a água.

Lucro 

Nos últimos quatro anos, a Celpa Equatorial teve um lucro líquido milionário de R$ 1,821 bilhão. Em 2017, a receita líquida atingiu R$ 5,151 bilhões. O lucro líquido foi de R$ 614 milhões, 74,5% maior que o lucro de 2016, R$ 352 milhões. A receita operacional bruta foi de R$ 7.329.619.000,00. O custo com pessoal em 2017 foi de R$ 132.494,000,00, representando 2,57% da receita líquida da empresa. O custo com serviço de terceiros em 2017 foi de R$ 373.334.000,00, representando 7,24% da receita líquida.

Satisfação do consumidor 

Na satisfação do consumidor, medida pela ANEEL, a Celpa Equatorial está com conceito: RUIM/CARO/BAIXA, com nota de 48,77 numa pontuação de 0 a 100, ocupando a posição de 54, em um total de 63 distribuidoras de energia do Brasil. O Índice ANEEL de Satisfação do Consumidor (Iasc) considera Qualidade percebida, Valor, Satisfação, Confiança e Fidelidade. A pesquisa Iasc é realizada anualmente desde 2000 entre os consumidores residenciais de todo o Brasil. 

Saldo de 20 anos de privatização

Passados 20 anos da privatização da Celpa Equatorial, o consumidor continua insatisfeito, os lucros continuam aumentando e a empresa não para de demitir trabalhadores todos os meses, reduzindo seu quadro de pessoal, não poupando nem os trabalhadores que têm problemas de saúde.